Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

What goes around-2ªparte (one shot)



Passaram-se meses desde que sai de casa. A vida com os gémeos é óptima. Tenho a minha vida arranjada, arranjei emprego numa loja de música, continuo a tirar o meu curso na universidade, estou quase no fim do 1ºano e estou a adorar. A Sasha saiu de casa. Os meus pais descobriram o que ela fez ao Bill, houve uma discussão feia e ela disse que ia embora para “viver a vida à sua maneira”, signifique isso o que quer que seja. Não a voltei a ver depois desse dia em casa dos meus pais. Não sei o que lhe aconteceu, onde vive ou o que faz, só sei que nunca mais telefonou para casa, nunca mais deu nenhuma notícia. Apesar de tudo, espero que ela esteja bem e que não ande metida em confusões.
Os gémeos voltaram hoje de tour. Estão nos quartos a descansar, e eu decidi vir para a sala ver televisão. Bill aparece na porta da sala e aproxima-se de mim.

- Que fazes aqui? Podias vir para a minha beira fazer-me companhia. – diz-me dando-me um beijo na testa – Tive saudades tuas Kelly…

- Não te quero incomodar… Tens de descansar, tiveste uns dias cansativos. Também tive saudades tuas.

Ele vai à cozinha buscar um copo de água. Anda simplesmente com umas calças de fato de treino, sem camisola, se ele soubesse como me afecta…
Volta e sentasse ao meu lado. Deita-se com a cabeça nas minhas pernas, ele adora que lhe faça festinhas no cabelo. Parece-me triste. Está abatido desde que foi para a tour…

- Kelly? Preciso de te contar uma coisa. – diz-me com o olhar fixo na televisão.

- Sim, diz. Fala.

- Acho que estou apaixonado. – continua a olhar fixamente para a televisão. Não me olha. Com as suas palavras o meu coração caiu-me aos pés.

- Posso saber quem é a felizarda? Conheço? – pergunto-lhe tentando que ele não perceba que a notícia me afectou.

- Talvez… Não te posso dizer quem é… - responde-me enquanto se levanta. Passa a mão pela minha face e dá-me um beijo na testa. – Adoro-te. – volta para o quarto sem dizer mais nada, deixando-me sozinha na sala.

Levanto-me e vou até à varanda. Sento-me no parapeito com as pernas para o lado de fora do prédio. A vista é bonita daqui do 5º andar. Fico alguns minutos a pensar na minha vida. Não tenho coragem para te contar e por isso vou perder-te… Desde que sejas feliz, eu estou bem… Alguém me agarra por trás e em puxa para dentro da varanda.

- Estás maluca? Não gosto que te sentes assim. – diz-me Tom, olhando para mim com ar apreensivo.

- Eu não me ia matar Tom. Estava só sentada a pensar.

- Está bem. Mas não gosto que estejas sentada assim. Pensa sentada numa cadeira aqui.

- Está bem, paizinho! – digo-lhe com ar de troça. Ao que ele me responde deitando a língua de fora e voltando-se para dentro de casa. – Tom? – ele volta a por a cabeça de fora da porta, olhando para mim – O teu irmão contou-te alguma coisa sobre a rapariga por quem se apaixonou durante a tour?

- Ele não esteve com nenhuma rapariga durante a tour. – responde-me pensativo – A vida dele foi sempre dos concertos para o hotel do hotel para entrevistas e de volta para o hotel. Ele não fez mais nada. Não conheceu ninguém. – continua encolhendo os ombros e sorrindo – E além disso, tu és a mulher da vida dele…

- O que queres dizer com isso? – pergunto-lhe mas já era tarde de mais. Já tinha voltado par dentro e ouvia os seus passos a correr para o quarto.

Volto para dentro. Dirijo-me para o meu quarto, mas a minha atenção é desviada ao passar pelo quarto de Bill. Ele tem a porta aberta e caminha pelo quarto em boxers. Ele olha para fora tento correr mas ele chama-me.

- Kelly?! Anda aqui. Ajuda-me a escolher uma roupa. Não sei o que vestir.

Entro no quarto e sento-me na cama. Ele continua a caminhar de um lado para o outro em boxers. Meu Deus… Se tu soubesses…

- Por que estás tão preocupado com a roupa? Precisas de agradar alguém? Vais sair? – pergunto-lhe, tentando “tirar nabos da púcara”.

- Não. Bem até posso ir sair. Se quiseres podemos ir passear os dois. – responde-me enquanto sobe para a cama e se coloca de joelhos atrás de mim. – Vá lá! Ajuda-me a escolher. Escolhe uma roupa que gostes.

- Eu gosto de ti com qualquer roupa. – sem querer pensei alto. Olho-o através do espelho que se encontra à nossa frente, ele sorri. Levanto-me e dirijo-me ao armário de onde tiro uma camisola e umas calças. As minhas favoritas. – Aqui tens! – estendo-lhe a roupa que ele agarra.

- Obrigado. – agradece-me enquanto saio do quarto – Ei? Espera! Sempre queres ir passear comigo?

- Não sei… Tu não confias em mim…

- Que dizes? Eu confio-te a minha vida…

- Mas não confias em mim para me dizer por quem estás apaixonado… - respondo-lhe com ar matreiro.

- Está bem. Se saíres comigo hoje, pode ser que te conte. Sais comigo?

- Está bem… Eu vou contigo. Mas onde queres ir?

- Depois vês! Surpresa. - responde-me com um grande sorriso nos lábios.

(…)

Passeamos a tarde toda pelo parque. O nosso parque favorito. Ele não me contou. Sempre que tocava no assunto ele fugia. Chegámos a casa quase à hora de jantar.

- Não me contaste. Enganaste-me! – digo-lhe, fingindo-me zangada.

- O dia ainda não acabou, pois não? – responde-me piscando-me o olho e dirigindo-se ao quarto. Sigo-o, mas vou para o meu quarto que é ao lado do seu. – Onde vais?

- Mudar de roupa. Não preciso de andar com esta roupa em casa.

- Nem penses! Nós vamos sair outra vez… Eu não te disse que o sitio onde íamos era surpresa? O parque não era uma surpresa. Nós vamos lá sempre… A surpresa vem agora. Vou só buscar uma coisa.

Entra no quarto e encosta a porta. Não sei o que anda a preparar, mas que anda estranho, isso anda. Passou a tarde toda nervoso. Aparece-se novamente na porta do quarto. Desliga e sai. Mostra-me o que traz na mão. Uma venda de seda preta.

- Para que é isso? – pergunto-lhe apontando para a venda.

- É para te tapar os olhos, para a surpresa. – coloca-se atrás de mim e coloca-me a venda nos olhos.

Dirige-me até à porta de casa e depois do elevador para o carro. A viagem é curta. 15 minutos talvez… Ele ajuda-me a sair do carro e continua a guiar-me.

- Já posso saber onde me levas?

- Espera. Estamos quase lá. – responde-me junto da minha orelha. Provocando-me um arrepio. Passado um minuto pára. – Chegámos! – sinto-o soltar-me a venda.

Quando olho para o que está à minha frente não quero acreditar no que vejo. À minha frente está uma tenda árabe, iluminada por vários candeeiros a óleo espalhados pela areia. Estávamos na praia e tudo aquilo estava preparado na areia. Ouve-se música árabe na tenda, ele sabe que eu gosto. Estende-me a mão que eu agarro e leva-me até à tenda.

- Gostas? – pergunta-me abraçando-me por trás.

- Adoro! Está lindo! Obrigado Bill… - digo-lhe emocionada.

- Preparei isto especialmente para ti. – diz-me enquanto me vira para ele – Amo-te!

- O quê? – pergunto-lhe sem perceber o aquilo significa.

- Quando te disse que estava apaixonado, estava a tentar ver a tua reacção… É a ti que eu amo… Estou apaixonado por ti e já não aguentava mais esconder os meus sentimentos. Mas eu compreendo se tu não me amares. Afinal de contas somos os melhores amigos. Vivemos na mesma casa. É normal que me vejas como um irmão. Eu compreendo… – fala muito rápido, como sempre faz quando está nervoso.

- Cala-te, seu tonto! Eu também te amo! – digo-lhe com um sorriso nos lábios. Ele retribui o sorriso e beija-me com carinho. Um beijo apaixonado e intenso.

Naquela noite fomos um do outro. Amámo-nos como o desejávamos fazer há muito tempo e não tínhamos coragem para revelar o nosso amor.

(…)

Começamos a namorar naquele dia. E estamos felizes juntos.
Tom ficou felissimo com a notícia e parece que foi contagiado pelo amor cá em casa. Tem uma namorada. Camille. Ela é simpática, passa a maior parte dos seus dias cá em casa. Finalmente alguém o fez perceber que o amor existe. Deixou as one night stands e diz ele que é para sempre. Que está feliz assim e que é assim que quer ficar.
Eu estou feliz por ele. O meu cunhadinho e mais do que isso meu irmão. Que sempre soube do meu amor por Bill e nunca mo disse, nem lhe disse a ele.
Sasha… Encontrei-a na rua à uns dias… Está diferente. Cortou o cabelo curto e anda com umas roupas muito estranhas. Quando lhe perguntei o que faz apenas me respondeu que trabalha num bar à noite. Tenho pena por ti Sasha… Se era assim que querias viver a vida à tua maneira. Virou-me as costas e não me respondeu quando lhe perguntei onde estava a morar. Não se pode ajudar quem não quer ser ajudado. Desculpa… Talvez um dia aceites a minha ajuda e decidas ser feliz…
Obrigado por me fazerem feliz, Bill, meu amor, e Tom, meu amigo e meu mano, para sempre.

(FIM)

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